O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro inaugura no dia 12 de julho a exposição "O Mundo Fantástico de Mario Gruber", que faleceu em dezembro passado aos 84 anos. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra apresenta um panorama completo da obra do artista, realizada ao longo de seis décadas de atividade artística. São 125 obras, entre pinturas, desenhos, matrizes e gravuras.
Durante toda sua vida Gruber trilhou um caminho único. A reboque de todos os modernismos inspirou-se nos mestres do passado, criou sua própria e requintada técnica de pintura e debruçou-se sobre um realismo mágico inteiramente pessoal. Alcançou o sucesso e a fama, foi igualmente endeusado e repudiado, mas nunca pode ser acomodado em nenhum dos nichos criados pela crítica de arte: Gruber é Gruber.
Na década de 1940, o artista pintava e gravava retratos, paisagens e naturezas-mortas seguindo os caminhos da arte da época, mas já buscando sua própria forma de expressão. Na década de 1950, alguns temas e características particulares tornaram-se evidentes: a preocupação com a qualidade técnica, o uso dramático do claro-escuro e uma predileção pela figura humana, captada em sua condição de espanto e solidão. Obras, como Meninos e Engraxate prenunciam o aparecimento do Muleque Cipó, personagem arquétipico que Gruber irá retratar sob diferentes nomes ao longo de muitos anos, sempre evidenciando a condição do menino pobre, irreverente, triste, desprotegido - e perigoso.
Nos anos 1960, aparece o tema dos Fantasiados que o artista pinta também por muito tempo, mergulhando, cada vez mais fundo, no onírico mundo dos máscaras, compondo imagens eivadas de símbolos e sempre usadas como formas de entender o real. Nos anos de chumbo da ditadura, através dos Anjos da Renascença Brasileira, Gruber denuncia a censura que transformava a todos em marionetes, em anjos de asas que não voavam. A série Profeta dos Anzóis, iniciada nos anos 1980, estendeu-se até os anos 1990, levantando questões existenciais entre metáforas de chaves e anzóis. Em 2000, o artista, conhecido como exímio colorista, ousou realizar um conjunto de obras monocromáticas que encerra o grupo de pinturas.
A exposição apresenta também um extenso grupo de gravuras e matrizes nas quais fica evidente a maestria de Gruber no manejo da goiva e do buril, sua inventividade na experimentação e seu engajamento em questões humanitárias.
Serviço:
Exposição: “O Mundo Fantástico de Mário Gruber”
Abertura: 12 de julho, ás 19h (para convidados)
Visitação: 13 de julho a 12 de agosto de 2012 – ter a dom, das 12 às 19h – GRÁTIS – Class. Livre
Local: Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro) - 2253-1580
Realização: Centro Cultural Correios
Patrocínio: Correios
Curadoria: Denise Mattar.
Para deixar o passeio ainda mais gostoso, recomendo o mix com a Confeitaria Colombo, com encantadora história e apetitosas guloseimas!
O glamour e a tradição de mais de um século de uma das mais respeitadas casas comerciais do país vem de longa data. Aliás, não se poderia mesmo contar a história da Confeitaria Colombo, hoje patrimônio cultural e artístico da cidade, sem associá-la a história urbana do Rio de Janeiro.
Uma curiosidade muiiiiito interessante (e que nem todo mundo sabe), segundo Milton Teixeira, professor de História da Cidade do Rio de Janeiro, a casa em que Tiradentes se escondeu na rua dos Latoeiros, após ser delatado por Silvério Reis, foi demolida e em seu lugar foi construída a que se instalou a Confeitaria Colombo.
De sua inauguração em 1894 até os dias de hoje, a Confeitaria Colombo conserva intacta a sua própria essência: a de cultivar, dia após dia, a qualidade de seus produtos e serviços, preservando também sua própria história. Foi assim que tornou-se, inclusive, patrimônio cultural e artístico de nosso país.
Dizem os textos que o Rio de Janeiro de D.Pedro II possuía ruas estreitas onde mal podiam circular os bondes. Quem frequentava as ruas elegantes do Centro eram homens de negócios, “donas e doninhas galantes”, grupos de músicos ambulantes, jovens vendedores de balas... Numa exibição diária de elegância e luxo, matéria- prima para os cronistas, avidamente lidos e apreciados pelas minuciosas descrições dos belos trajes.
Em setembro de 1894, Lebrão e seu sócio Joaquim Meirelles deram à cidade e ao país o mais elegante estabelecimento comercial de luxuosa decoração e riqueza, só comparável às confeitarias de Paris ou Londres: a Confeitaria Colombo.
Em seus espaços grandiosos reluzem espelhos belgas e imperam o belíssimo mobiliário em jacarandá e as bancadas de mármore italiano. São mais de cem anos de história, pessoas! Desde de 1894 a Colombo, símbolo máximo da belle époque da cidade, faz parte do Patrimônio Histórico e Artístico do Rio de Janeiro.
Mas não são apenas os grandes salões, palco de recepções a visitantes ilustres como o rei Alberto da Bélgica, em 1920, a rainha Elizabeth da Inglaterra, em 1968, ou mesmo políticos, escritores e artistas, que marcaram a história.
Baixelas de prata portuguesa, louças da Cia Vista Alegre, mais de 500 cardápios antigos, fotos e embalagens de produtos comercializados pela Confeitaria no século passado fazem parte do belíssimo acervo, exposto no Espaço Memória. Criado em 2002.
Fonte:
Confeitaria Colombo
Centro Cultural Correios




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