Pela sexta ou sétima vez, talvez muito além disso, ele se deixara iludir. O certo, aliás, seria dizer que ele mesmo procurara aquela ilusão. Engraçado como o ser humano precisa de algo que sustente, não importa se sabe que a queda é inevitável, que a dor é insuportável e que querer o instante é futilidade demais comparado ao que irá ter de aturar.
Tudo parecia tão mágico, tão possível, finalmente real. As pessoas na rua sorriam quando os viam passar, impossível não ser contagiado com a alegria descrita nos dois rostos. Aquilo que cultivavam e que ele não ousava nomear, só crescia, pensava. Só pensava, não dizia, não falava. Tinha medo, tanto medo que muitas vezes esquecia de viver. Mas não daquela vez, resolveu que seria oportuno tentar ser diferente. Ficou maravilhado com aquele velho e conhecido mundo novo, o turbilhão de sentimentos que jurara não querer mais pra si. Ele tinha avançado o pé que ficara pra trás, tinha mergulhado ou era isso que parecia. Até cair uma parede e bloquear o caminho, até dar-se conta de que a realidade era um pouco diferente: ela era problemática demais, ele era afim de outra, o passado era presente na cabeça dos dois, como um filme nostálgico.
Sentia falta de uma pessoa que já tinha ido embora há tempos. Aquilo não existia. É, ele não a amava. Não era amor, por isso ele já nomeava com facilidade. Nada havia nascido entre eles, nada que não fosse uma utopia mascarada. Sabia disso desde o começo, desde o instante que a tomou nos braços e a beijou. Por isso a pontada estranha no peito.
Ele fingiu gostar, fingiu querer, fingiu acreditar, fingiu ser...
Sim, era um fingido, mas foi quem mais sofreu.
Só para constar, o texto acima não é direcionado para ninguém. Eu tinha o rascunho salvo nos meus guardados e resolvi apenas terminá-lo.
Ele apenas traduz um bocado do meu momento atual... :(Para quem interessar, fui a Lapa sexta feira, Arrayeah! com o Bloco do Sargento Pimenta. Muito bom!
Os alternativos apreciadores de Beatles e dessa pegada cultural dos ritmos brasileiros estavam em peso, foi um prato cheio... Eu que já gostava muito do trabalho dos caras, virei fã! :)
"Chega aí, pode entrar, é o Pimenta, o sargento dá o tom
Chega aí, pode entrar, é o Pimenta, isso arde mas é bom..."


erra a figura fingida pensando, um dia, transformar-se em tridimensional, colorida. erra brutalmente porque não se engana essa crosta avessa nossa, que está por debaixo da pele e faz nó com a consciência. mas será que não existe amor dentro de cada gesto fingido? do toque frio dos lábios ainda que não querido? o que é amor, senão esta luta diária pela felicidade fingida?
ResponderExcluirte adoro!!!
beijos daqui...
Doeu nele e doeu em mim.
ResponderExcluirCair sempre fere, e dói. Ainda que não seja vísivel. Ainda que busquemos um novo disfarce.
Criar ilusões pra amar e pra dar vida ao amor. Sei lá.
É tão estranho. E esse texto me deixou com umas coisas esquisitas, eu que já tenho um monte de ilusões que me sustentam...
Sodale...
ResponderExcluirFinal previsível. O que queremos quando decidimos tomar uma garrafa de Vodca?
Um grande abraço, meninas! Obrigada por comentarem aqui! :)
Ao menos, creio, que não fingiu a pontada estranha no peito; não fingiu senti-la, e deve ter sentido com toda a coragem de quem mergulha nos enganos.
ResponderExcluirÓtimo texto, Carol! Não esperava que no meio dele tudo se revelaria da forma como acabou, tava até convencido de um final meio feliz. Hauahuahauhauahau
Pois é, vivemos num mundo de fingimentos e dissimulações. Raras são as pessoas que se mostram como são, sem se importar com a opinião dos outros.
ResponderExcluirRaras e criticadas.
E felizes, porque não estão nem aí.
Abraço!
E talvez quem mais amou.
ResponderExcluirSabe que essa coisa da necessidade de um sustento... É meu pesadelo. Ou era, até pouco. Acontece que não ter quem o sustente é o mais triste. Acabo de descobrir.
Divulgar no twitter me rendeu muitas visitas e comentários! :)
ResponderExcluirGente, não tomem como verdade absoluta. Não entrem nesse mérito de questão... Mas, faz parte da minha essência falar sobre esses temas.
Quando decidi criar o blog, tive em mente que iria traduzir minha alma, não falaria sobre o que não me apetece. Quero trazer pra isso aqui somente aquilo que meche com a minha cabeça. Por mais louco que pareça! :P
Obrigada pela confiança, de verdade!
enfio tudão
ResponderExcluirJotta Fernandes
ResponderExcluirApenas para constar, tá linda na foto. O texto ganhou tanto destaque (e vc tb não disse que era pra comentar as observações!), que não falei sobre o evento. Arrayeah, sabe que pensei em ir?