A praça, e de longe, mas não muito, o barulho das crianças. A gente caminha sobre as folhas amarelas e o sol já está sumindo, você não diz nada. Mãos dadas, pensamento longe. A calma que eu sempre quis. O banco onde eu me deito. O seu rosto bem perto, noto cada marca nele, como se você não estivesse aqui, os discretos fios ruivos na barba, o seu nariz perfeito, a sobrancelha grossa, cílios grandes... A sua blusa branca tem uma mancha de toddynho (pra variar)...
Eu te olho e penso como é bom ter alguém assim. Alguém que surgiu tímido, mas sem pedir licença, e que foi entrando tão sorrateiramente na minha vida que quando eu me dei conta já era uma parte muito importante dela. Irremediavelmente. Eu te despenteio com carinho, como se o seu cabelo e você inteiros fossem meus, e neste momento são, porque você deixa eu fazer do jeito que eu quero. Eu olho com atenção. Você ri e pergunta o que foi e eu respondo, "nada".
Daqui a alguns anos, talvez a gente esteja junto, pensando em casar, ou casado, filhos, ou quem sabe outro país, planos, sucesso na profissão. Talvez estejamos sozinhos, talvez sofrendo separados, talvez aliviados. Talvez eu viva uma vida diferente da que a gente sonhou, e você também, talvez a gente se encontre e eu esteja acompanhada, e você também, e a gente se cumprimente superficialmente. Qualquer que seja o nosso futuro, é de momentos como este que eu vou lembrar.
Eu sempre vou lembrar...
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