Nunca entendi por que motivo isso tem que acontecer.
E, na maioria das vezes, demoro demais para perceber quando acontece, o que
dificulta muito as alternativas para reverter o problema.
Brigas, desentendimentos,
mudança de hábitos, de gostos, de costumes, de estilo de vida.
Incompatibilidades antes tão banais, mas que se mostraram determinantes e
sufocantes. Decepções. Perda de confiança. Ou apenas o afastamento natural
causado pela distância (nem sempre física).
É difícil entender
como acontecimentos comuns à existência humana são capazes de alterar
drasticamente aspectos da nossa vida particular. É estranho assimilar que uma
atitude, um comportamento ou uma forma de pensar e enxergar o mundo tem força
de sobra para afastar duas pessoas, antes tão ligadas.
O esfacelamento de
uma amizade é como um rito de passagem. E, por isso mesmo, deixa marcas. No
entanto, mais complicado que o esvaziamento da afeição é a exata percepção de
que a amizade se ruiu. É doloroso enxergar o fim. E nessa onda de
superexposição em que vivemos com as redes sociais, perceber isso se tornou
mais claro e amargo.
Quando não há
briga ou ato claro que denote a inevitável separação, o rompimento velado
arromba a porta. Sem buscar qualquer informação, facilmente chega até você a
notícia de que um(a) grande amigo(a) de outrora teve o primeiro filho; ou
outro(a) amigo(a) inseparável de antigamente se casou, e você não foi
convidado. Ou aquele amigo(a) em que você tanto confiava, lá no fundo, não tem
a mesma consideração por você. E por aí vão os motivos irreversíveis para
rompimentos entre amigos.
É o processo
natural do afunilamento das verdadeiras amizades. É aquela velha história de
que não conseguimos completar com os dedos de uma mão a quantidade de amigos
verdadeiros que temos. É clichê, é frase de mãe, mas parece ser a mais pura e
simples verdade.
E essa simples
verdade é que não dá para abraçar o mundo com um par de braços. Uma hora a vida
estampa na nossa cara que nosso espaço no mundo tem limite de metragem e não
cabe muita gente. A parte boa dessa constatação é que isso não é de todo mal. O
que num primeiro momento pode parecer ingratidão da vida talvez seja apenas
proteção.
Para ilustrar de maneira otimista, resolvi usar um exemplo avesso e provar que manter uma amizade é possível! :)
Como diria Shakespeare, "Quem cedo e bem aprende, tarde ou nunca esquece. Quem negligência as manifestações de amizade, acaba por perder esse sentimento".

Boa, Carol!
ResponderExcluirDe tanto insistir, vim até aqui e percebi que você realmente tem talento e potencial de sobra.
E agora, vai se matricular em jornalismo? Hehe...
Bjs
O que é a amizade? É querer estar sempre perto da pessoa? É querer participar de todos os eventos onde a outra pessoa está? ...As saudades de nós mesmos, do que fomos, do que um dia sonhamos juntos.São sentimentos misturados: ciúme. posse, inveja. A perda da pureza, da ingenuidade do começo nos torna desconfiados,ciumentos, egoístas. Será que ele gosta mais do outro que de mim? Por que ele foi com os outros e não me convidou? Esse apêgo é que faz mal. Viva e deixe viver, é uma frase bonita porém pouco aplicada. É difícil saber que o outro não precisa de nós para ser feliz.
ResponderExcluirEu encaro como ciclos que se iniciam e encerram, ao seu tempo. Ao menos, isso explica como os amigos se vão, aqueles que costumávamos chamar de "irmãos" e agora são meros conhecidos ou até menos que isso...
ResponderExcluirCada um faz a diferença durante o período (cumpre seu "dever"). Mas, quando a vida encerra aquele ciclo, por mais que lutemos para não perder e demoremos a encarar os fatos (apego, saudosismo, etc), parece uma tarefa impossível.
Estou tentando abordar isso melhor, num outro texto que estou produzindo para breve.