segunda-feira, 2 de julho de 2012

Amizade acaba?

Ao longo da vida, nos deparamos com uma infeliz e recorrente situação. Não sei ao certo se a cada fase específica da existência, faixa etária ou se acompanhando as adequações de personalidade durante nossa formação de maturidade. O fato é que sempre deixamos para trás amizades que adquirimos durante a vida.

Nunca entendi por que motivo isso tem que acontecer. E, na maioria das vezes, demoro demais para perceber quando acontece, o que dificulta muito as alternativas para reverter o problema.

Brigas, desentendimentos, mudança de hábitos, de gostos, de costumes, de estilo de vida. Incompatibilidades antes tão banais, mas que se mostraram determinantes e sufocantes. Decepções. Perda de confiança. Ou apenas o afastamento natural causado pela distância (nem sempre física).

É difícil entender como acontecimentos comuns à existência humana são capazes de alterar drasticamente aspectos da nossa vida particular. É estranho assimilar que uma atitude, um comportamento ou uma forma de pensar e enxergar o mundo tem força de sobra para afastar duas pessoas, antes tão ligadas.

O esfacelamento de uma amizade é como um rito de passagem. E, por isso mesmo, deixa marcas. No entanto, mais complicado que o esvaziamento da afeição é a exata percepção de que a amizade se ruiu. É doloroso enxergar o fim. E nessa onda de superexposição em que vivemos com as redes sociais, perceber isso se tornou mais claro e amargo.

Quando não há briga ou ato claro que denote a inevitável separação, o rompimento velado arromba a porta. Sem buscar qualquer informação, facilmente chega até você a notícia de que um(a) grande amigo(a) de outrora teve o primeiro filho; ou outro(a) amigo(a) inseparável de antigamente se casou, e você não foi convidado. Ou aquele amigo(a) em que você tanto confiava, lá no fundo, não tem a mesma consideração por você. E por aí vão os motivos irreversíveis para rompimentos entre amigos.

É o processo natural do afunilamento das verdadeiras amizades. É aquela velha história de que não conseguimos completar com os dedos de uma mão a quantidade de amigos verdadeiros que temos. É clichê, é frase de mãe, mas parece ser a mais pura e simples verdade.

E essa simples verdade é que não dá para abraçar o mundo com um par de braços. Uma hora a vida estampa na nossa cara que nosso espaço no mundo tem limite de metragem e não cabe muita gente. A parte boa dessa constatação é que isso não é de todo mal. O que num primeiro momento pode parecer ingratidão da vida talvez seja apenas proteção.

Para ilustrar de maneira otimista, resolvi usar um exemplo avesso e provar que manter uma amizade é possível! :)

Como diria Shakespeare, "Quem cedo e bem aprende, tarde ou nunca esquece. Quem negligência as manifestações de amizade, acaba por perder esse sentimento".

3 comentários:

  1. Boa, Carol!
    De tanto insistir, vim até aqui e percebi que você realmente tem talento e potencial de sobra.
    E agora, vai se matricular em jornalismo? Hehe...

    Bjs

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  2. O que é a amizade? É querer estar sempre perto da pessoa? É querer participar de todos os eventos onde a outra pessoa está? ...As saudades de nós mesmos, do que fomos, do que um dia sonhamos juntos.São sentimentos misturados: ciúme. posse, inveja. A perda da pureza, da ingenuidade do começo nos torna desconfiados,ciumentos, egoístas. Será que ele gosta mais do outro que de mim? Por que ele foi com os outros e não me convidou? Esse apêgo é que faz mal. Viva e deixe viver, é uma frase bonita porém pouco aplicada. É difícil saber que o outro não precisa de nós para ser feliz.

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  3. Eu encaro como ciclos que se iniciam e encerram, ao seu tempo. Ao menos, isso explica como os amigos se vão, aqueles que costumávamos chamar de "irmãos" e agora são meros conhecidos ou até menos que isso...
    Cada um faz a diferença durante o período (cumpre seu "dever"). Mas, quando a vida encerra aquele ciclo, por mais que lutemos para não perder e demoremos a encarar os fatos (apego, saudosismo, etc), parece uma tarefa impossível.
    Estou tentando abordar isso melhor, num outro texto que estou produzindo para breve.

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