segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O problema do transporte coletivo é o passageiro


Em tempos em que todo mundo quer falar de sustentabilidade, brotam eco-chatos por todos os cantos. E muito se fala da substituição de automóveis pelo transporte coletivo. Afinal, gastar combustível uma vez só para levar 100 pessoas apertadas polui menos do que 100 pessoas fazendo o mesmo trajeto confortavelmente em seus automóveis.

Logo, incentivar a população a utilizar o transporte coletivo é algo que pode contribuir para o bem de todos. Porém, antes disso deveriam incentivar as pessoas a serem educadas. Isso mesmo, não é falta de investimento ou estrutura o problema do transporte coletivo no Brasil, mas sim, a falta de educação dos usuários. Os exemplos a seguir são baseados em fatos reais. Todos vivenciados por quem rascunha este texto.



Seis da manhã, você acabou de acordar e ainda está com os olhos remelentos, bocejando e esperando o ônibus chegar ao seu destino para iniciar mais um dia de trabalho (faculdade, cursinho ou seja lá o que for). Seu único desejo é relaxar para começar bem o dia. É claro que, conseguir isso em um lugar onde mais de 100 pessoas se encoxam, é uma tarefa árdua, porém, dá-se um jeito. Eis que surge o maior dos inconvenientes: o corno que roubou/comprou um celular da moda que toca MP3 e em vez de ouvir os últimos hits de rap, funk ou sertanejo em seus fones de ouvido, acha que todos do ônibus devem compartilhar de seu mau gosto musical. O infeliz toca aqueles barulhos em alto e bom som, sem se importar com ninguém. Reclamar é difícil, porque normalmente esses cidadãos tem cara de pessoas que acabaram de passar um bom tempo em um presídio, então, só me resta torcer para que a bateria deles acabe logo.

Ônibus não é lanchonete. Mesmo assim, tem gente que gosta de comer nele, o que, convenhamos, é algo muito anti-higiênico. E em quase 100% dos casos, o alimento do esfomeado é algo malcheiroso, que desde o motorista até o último passageiro torcem o nariz. O pior de todos, o algoz de todos os narizes são os salgadinhos, aqueles que as avós dão para seus netinhos irem roendo, na esperança que o peste fique quieto com a boca cheia de farelo (blergh!).

No quesito odores, há sempre o povo que não sabe o que é sabonete, xampu ou desodorante. Não importa a hora que você pegue ônibus, sempre tem alguém com aquele cheiro desagradável de vestiário masculino depois do futebol e olha que na maioria das vezes a pessoa parece não saber que está na asa. E nem precisamos comentar que flatulências são coisas extremamente repugnantes em um ambiente onde todos estão respirando o mesmo ar.

Ônibus é uma ótima incubadora de vírus e bactérias. Ninguém lembra que existem janelas e que elas precisam estar abertas para ventilar. Aqui no Rio, por exemplo, se faz um pouquinho de frio, o ônibus já fica inteiro fechado. E se você ameaça abrir, recebe um baita esporro “Vai vir vento e está muito frio. Fecha esse troço!”. Janela fechada, todo mundo aquecido e contraindo meningite, muito bem! *clap clap clap*

E nos ônibus que as pessoas entram e saem pela mesma porta? O que custa aguardar o desembarque? O ônibus não vai fugir! Ele sempre espera todos saírem, todos entrarem e aí sim vai embora. Os que querem entrar parecem achar que disputam as Olimpíadas e, em busca da medalha de ouro, saem dando encontrões e cotoveladas em todo mundo.


Idosos, gestantes e deficientes têm a preferência. Então sempre ceda o seu lugar para eles. Mas se você é uma dessas prioridades, não fique de frescura! Quando ofereceram um lugar para você, sente de uma vez. Nada de dizer que vai descer no próximo ou que em pé está bom. Quando se é gentil, a pessoa aproveita. Dá para entender?

E, nada de fingir sono e/ou cansaço. Jogar-se nos que estão sentados a fim de fisgar o lugar é ridículo. Sério, a pessoa geralmente percebe e quem fica com cara de bocó, é você.

Tudo isso leva a crer que não adianta ônibus novos e que passem com mais frequência, passagens mais baratas e novas linhas, se quem torna uma simples viagem casa-trabalho desgastante são os próprios usuários mal-educados, e como diz aquela velha frase clichê, educação vem de casa.

Passageiro, ao entrar no ônibus lembre-se, você não está sozinho.

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